30/09/2009 Lenda ''A GALERIA DO TERROR ''



Sinto náuseas sempre que recordo o Valdemar, aquele puto sinistro e obcecado pelas máquinas de diversão.

Aquele puto passava a vida enfiado dentro das casas de jogos. Jogava e insistia em jogar até ganhar.

A verdade é que o tipo tinha uma áurea mágica qualquer, que lhe dava sorte e o ajudava a ganhar constantemente. Aliás, ele nem sabia perder.

Era mesmo um viciado nas máquinas, aquele Valdemar.

Ele percorria os cafés todos onde havia máquinas, e sabia jogar em todas elas.

Mas era na última quinzena do mês de Agosto que ele se perdia. Nessa altura, organizavam sempre as festas do Santo João, lá na nossa vila e a câmara oferecia sempre uma grande feira com muita animação e divertimento.

Para além dos populares carroceis, carrinhos de choque e roulotes com farturas e algodão doce, a feira oferecia sempre uma vasta colecção de máquinas de jogo (flippers, tiro ao alvo, entre outras). Era sempre ali que acabava por encontrar o Valdemar.

Na sexta-feira à noite, vocês haviam de ver o Valdemar eufórico, com os olhos a brilhar e com os bolsos recheados de moedas a tilintar.

Ali no bairro, todos nós vivíamos com algumas dificuldades, pois os nossos pais também eram pobres, e a maioria de nós, nunca tinha dinheiro para nada.

Mas esse nunca era o caso do Valdemar. Aquele rapaz sempre soube como ganhar dinheiro. Durante a tarde ficava na mercearia do seu tio Fonseca, e depois das clientes mais idosas se aviarem, ele tomava a iniciativa de transportar as compras a casa deles, que acabavam sempre por o recompensar com uma gorjeta generosa. Logo que se apanhava com a maquia certa, lá vinha ele a correr até minha casa para eu o acompanhar para as casas de jogos

Nunca jogava sem eu estar presente. Ele gostava que eu testemunhasse o seu sucesso diante das máquinas ou que eu assistisse aos seus recordes. Depois era eu quem o auxiliava a carregar os prémios que ele trazia para casa, que eram sempre muitos, diga-se em abono da verdade.

Naquela noite, ele tinha fixado um enorme “panda” de peluche, que era o prémio para quem acertasse mais vezes num alvo com uma espingarde de cano torcido. Valdemar ficara obcecado pelo peluche, e estava prestes a ganhá-lo quando inesperadamente algo lhe chamou a atenção.

Valdemar ficou de semblante abismado com os olhos fixos numa máquina muito pouco convencional. Tratava-se de um “mago”, um “adivinho” (ou lá o que era aquilo), que se conservava numa redoma de vidro e falava para as pessoas que passavam diante dele, segurando uma bola de cristal nas suas mãos ossudas e enrugadas.

-“Olá!...vem conversar comigo. Em troca de uma moeda, eu posso adivinhar o teu futuro e ajudar-te a seres feliz”! – Um boneco de barbas brancas e de turbante roxo grasnava sem parar. Parecia que tinha vida. Era morbidamente “real”.

Para meu espanto, vi o olhar de Valdemar fascinado pela máquina. Largou logo a espingarda e dirigiu-se em direcção ao “mago”. Colocou uma moeda na ranhura e aguardou o resultado com um ar ansioso.

- “Coloca a mão na abertura” – disse o boneco, ao que Valdemar atendeu com encanto.

-“Responde a três questões e eu ficarei a saber tudo sobre ti. Como te chamas?” – Inquiriu o mago

- Valdemar.

- “Em que dia nasceste”?...

- No dia 27 de Maio de 1969...

-“Ah, então és do signo gémeos”...

- Sim. Já estás a adivinhar alguma coisa. – Aduziu Valdemar com escárnio.

- “Agora diz uma palavra qualquer”.

- ...”Dinheiro”! – Respondeu o Valdemar sem hesitação.

- “Oh, Valdemar... Já sei tudo sobre ti”.

Valdemar fitou o boneco com um ar que eu não lhe conhecia. Algo estava errado. Ele parecia hipnotizado e dirigia-se ao boneco com um ar voraz como se visse “vida” no boneco.

- Ah sabes?... Então vamos lá fazer um pequeno teste. Diz lá o que é que eu faço durante o dia, para ganhar ter dinheiro?...


O bruxo colocou os dedos indicadores na zona da nuca, fechou os olhos durante alguns segundos, depois abriu-os e exibiu um semblante tão assustador, que parecia real.

- “Jogarás, pedirás, roubarás!” – Cantarolou o mago.

- Hã?... Que dizes?...isto é uma fraude. Eu trabalho, ouviste?...Quero o meu dinheiro de volta – Grunhiu o Valdemar visivelmente irritado, dando um encontrão na redoma do prestidigitador.

- “Sim. Mas também roubas. Ainda hoje roubaste dinheiro da caixa do teu tio!”

- O quê?..

Confesso que aquele teatro produziu em mim, um misto de divertimento e de horror, tomando em conta o estado em que se encontrava o meu amigo, que demonstrava claramente, estar comprometido com as afirmações do boneco.


- Então diz lá o meu futuro, já que sabes tudo... – Tornou o Valdemar rubro de raiva.

- “Em primeiro lugar, deixa de roubar dinheiro da caixa do teu tio, e das gavetas das clientes a quem levas as mercearias, e até...desse teu amigo”! – A frase estoirou como um chicote. Realmente tinham-me faltado “dois contos” da carteira há uns dias, mas pensei que os tinha perdido. Aquilo não podia estar a acontecer.

- Mentira. O que tu dizes é tudo mentira! – Rosnou Valdemar.

- “Ladrãzeco, Ladrãzeco”...


”truuum”!...

- A frase esfuziou-se com um sonido metálico.

- Merda de máquina. Nunca gastei dinheiro tão mal gasto...

Valdemar suspendeu o seu discurso e deteve-se a olhar para mim, pois conservei um ar sério. - Oh, tu não acreditas nesta palhaçada, pois não?...

- Não sei, Valdemar. Não sei...

Depois deste episódio, deixei de acompanhar o Valdemar com a mesma frequência do costume, e até notei que ele se andava mais calmo, depois daquela suposta revelação feita pelo boneco. A verdade é que nunca mais ouvi o seu tio a queixar-se com as contas erradas ao fim do dia, lá na sua mercearia.

Vinte anos passaram, e cada um de nós seguiu o seu caminho. Só que a ironia do destino, obrigou-me a voltar a encarar o Valdemar - É verdade!

Ele tornara-se num empresário muito bem sucedido no ramo imobiliário. Conduzia um “Mercedes” ultimo modelo, fazia-se acompanhar de belas secretárias, e trajava sempre bons fatos da “Armani”.

Enquanto eu...

Não passava de um falido proprietário de um parque de diversões.

Um parque que estava prestes a falir. Devido à falta de fundos, encontrava-se penhorado e em hasta pública.

Foi exactamente no tribunal que dei de caras com o Valdemar. Pois a firma dele é uma das interessadas na compra da feira. A julgar pelo modo arrogante daquele individuo que conheci na minha infância e adolescência, pude adivinhar que, mais uma vez, e como era o seu estilo - ele vinha para ganhar!

A sessão iniciou com o anúncio do bem a leiloar, bem como as suas características, recheio, e base de licitação, que eram um milhão de euros.

Confesso que estava muito nervoso, e passo a explicar-vos porquê. Tornara-me proprietário do parque há dez anos atrás, numa época em que a economia estava em alta, e as pessoas gastavam dinheiro nas coisas mais supérfluas. Mas a economia vacilou, e aí começaram os problemas: Desemprego, redução de gastos por parte das famílias, e tudo isto levou-me à ruína, pois fui acumulando dividas, atrás de dívidas para conseguir manter a feira em funcionamento, bem como os respectivos postos de trabalho.

Contudo, os meus credores não me perdoaram os atrasos, e espetaram comigo em tribunal. Agora, tudo o que eu desejava era que a venda da feira fosse suficiente para pagar a todos eles, para que eu pudesse finalmente respirar um pouco. Além disso, a entidade que adquirisse o parque poderia mantê-lo em funcionamento, e até quem sabe, renová-lo e fazê-lo renascer para a modernidade.

Os lanços foram-se sucedendo num ritmo frenético, ao que eu assistia com grande entusiasmo, pois o valor em disputa já tinha ultrapassado, em muito, o limite mínimo que eu desejava para os fins que narrei atrás.

- Um milhão e meio de euros. Alguém dá mais? – Insistiu o Juiz. – Um milhão e meio de euros, uma...duas...trê...

- Dois milhões de euros – Anunciou uma voz suave e melancólica, que eu reconheci de imediato: O Valdemar!


É verdade! Foi o Valdemar que arrematou o leilão e se tornou proprietário do parque de diversões. Fiquei-lhe grato, pois claro. Ele tinha-me libertado do pântano financeiro em que eu estava metido. Agora restava-me saber o que ia ele fazer com o parque, se ia recuperá-lo e manter o seu funcionamento, ou...outra coisa!

No dia seguinte, recebi um amável telefonema do Valdemar, convidando-me para eu me encontrar com ele, ainda nesse mesmo dia, visto não querer tomar decisões sem falar comigo. Afinal, eu tinha dirigido os destinos do parque durante duas décadas.

A sua voz evidenciava alguma ansiedade, levando-me a perceber que ele tinha pressa em resolver o futuro do parque.

Combinamos encontrarmo-nos exactamente no parque de diversões.

O sol já se definhava no horizonte, quando o vi surgir pela porta que ladeava o “castelo fantasma”. A sua silhueta austera, aliada ao anoitecer sombrio, fez-me sentir um frio cortante no estômago.

- Viva!... – Saudou ele com um ar grave.

- Viva, Valdemar!... – Retorqui.

- “Doutor” Valdemar. – Apressou-se ele a corrigir.

- O que quer falar comigo... Doutor Valdemar?

- Sim. Vamos para o teu escritório. -Sugeriu ele (avançando) sem esperar pela minha resposta.

Quando chegámos ao meu escritório, convidei o Valdemar a sentar-se. Seguidamente ofereci-lhe uma chávena com café.

Quando lhe ofereci a bebida, reparei que Valdemar contemplava a “relíquia” que eu conservava no meu escritório.

- Bem, meu velho amigo. Vou directamente ao assunto. – Valdemar olhou-me com uns olhos gelados.

- Sim, vamos ao que interessa. – Assenti.

- Antes de tudo...

- “Olá!...vem conversar comigo. Entrecortou uma voz familiar. - Em troca de uma moeda, eu posso adivinhar o teu futuro e ajudar-te a seres feliz”!

- Oh... olha o bruxo. Lembro-me perfeitamente de ti, grande aldrabão! Vamos lá ver, o que me tens para dizer agora! – Vociferou o Valdemar, enquanto fixava novamente o boneco.


Para mim, não se tratava de um “máquina” qualquer. Era algo que eu estimava desde o primeiro dia em que o “conheci”. Pois aquele boneco tinha-me revelado coisas, que na altura foram importantes para mim, e por isso fiquei-lhe com um carinho muito especial.


Assim, guardei-o sempre comigo, e estimei-o como uma verdadeira “relíquia”. - “Coloca a mão na abertura!... Responde a três questões, e eu ficarei a saber tudo sobre ti...Como te chamas”? – Inquiriu o mago

- Valdemar.

- Em que dia nasceste?...

- No dia 27 de Maio de 1969...

- “Ah, então és do signo gémeos”... – Uma breve sensação de Deja-vu, cresceu por mim acima.

- Sim. Continuas a mesma fraude, meu velho embusteiro. – Ralhou Valdemar com os olhos inquietos.

- “Diz uma palavra qualquer que te venha à memória”. - Dinheiro. – Repetiu o advogado.

- “Oh, Valdemar... Já sei tudo sobre ti”.

- Outra vez, a mesma conversa?... Não me vais dizer, que eu roubei dinheiro à velhota?....oh, oh, oh...

- “Não. Fizeste pior, desta vez”!...

- Hã?..o que fiz eu? Diz lá... – O rosto de Valdemar adquiriu um tom mais sisudo.

- “És um assassino!...Mataste o teu sócio para poderes ficar com a totalidade da empresa. Atiraste-o do décimo andar, simulando um acidente, grande assassino”.

- O quê?... – O semblante de Valdemar transfigurou-se de uma forma assustadora.

Eu não queria acreditar, mas foi o que os meus olhos viram naquele momento. Valdemar tentou jogar a mão ao bolso, talvez para puxar a pistola, mas a verdade é que a outra mão (a que ele conservava na abertura) ficara presa pelas garras do mago.

- “E além de assassino, também és mágico”! – Continuou “aquilo”.

- Espera aí...o que queres diz... – Hesitou ele.

- “Sim. Só um mágico poderá fazer desaparecer uma “coisa” tão grande como este parque”!

- Desaparecer?...Não estou a entender... – Balbuciei, levando em conta que o boneco adivinhava mesmo o futuro.

- Sim, ou julgavas que tinha dado aquele dinheirão todo, para manter isto a funcionar?...Oh, confessa lá. Isto alguma vez te deu lucro?...Quanto? – Insistiu o Valdemar com um sorriso repudiante.

- Sim, deu sempre lucro, mas...

- Oh, não brinques comigo! – Interrompeu ele – Nem a “EuroDisney” dá lucro, quanto mais isto?...

- Então, o que vai fazer, Doutor Valde... Valdemar. – Corrigi, confuso.

- Em breve... – Disse ele, tentando apontar para o horizonte – Todo este espaço será ocupado por uma grande superfície comercial, com milhares de lojas, cinemas, escritórios, enfim, tudo. Uma cidade concentrada em vinte cinco mil metros quadrados!...

O assombro tomou conta da minha alma ao ouvir aquilo. “Meu Deus”, ele ia fazer desaparecer aquilo tudo!

- E...os feirantes, e sua famílias, para onde vão eles? – Antecipei-me a perguntar, inocentemente.

- Ah, ah, ah, não gozes comigo. Os feirantes?...Oh, essa agora?... Esses vândalos, cujos filhos conspurcam as nossas ruas e escolas onde estudam também os nossos filhos, e estás preocupados com eles?...

- “Antes a morte, que a má sorte!” – sibilou o mago.

Valdemar começou a bracejar, tentando livrar-se do boneco, que teimava em agarrar-lhe a mão.

Confesso, com um misto de vergonha e perversidade, que na altura senti um prazer mórbido ao presenciar aquela cena grotesca e espantosa. Contudo, Valdemar conseguiu, com algum esforço puxar da sua arma e, com a brandura de um assassino, disparou vários tiros na direcção do boneco, acertando apenas em dois quadros que estavam fixos na parede.

Era o fim de tudo. Aquele homem destruía tudo o que lhe fizesse frente.

O boneco apertou-lhe ainda o braço com mais força, o que obrigou o Valdemar a largar a pistola para o chão, tal não a intensidade da sua força.


E foi nesse exacto momento que senti a minha alma bondosa a abandonar-me, dando lugar a um ser cavernoso que hibernava dentro de mim, e que despertara impiedoso e cheio de raiva. Desloquei-me em direcção de Valdemar, e desferi-lhe vários murros na cara, que o deixaram em agonia, esvaindo-se em sangue, quase até à morte. Olhei para ele, e percebia que tinha perdido os sentidos. Entretanto o Boneco tinha-lhe soltado a mão.

Fez-se um silêncio fúnebre, e enterrei o rosto nas mãos, e nelas chorei dolorosamente.

Inesperadamente, e num acto brusco, Valdemar apanhou a arma do chão e apontou-a em direcção da minha cara.

- E agora, palhaço?... – A voz soava pastosa do sangue que lhe escorria pela face. Parecia um monstro canibal.

- Não dispares, Valdemar. Vais passar o resto da tua vida na cadeia. Pensa nisso. – Tentei acalma-lo. Uma vez vira um filme em que a personagem dizia algo parecido ao vilão e tinha resultado.

- Não. Vou acabar contigo e com este...

Duas garras colossais soltaram-se da redoma de vidro do prestidigitador e fixaram-se no pescoço do Valdemar com a firmeza de uma tenaz de ferro. O seu rosto estava vermelho como a capa de um toureiro. Ele ainda tentou reagir, mas a força que o detinha, era brutal. Algo do outro mundo.

-Ajuda-me! – Implorou Valdemar, num grito gutural de terror. – Ajuda-me, por favor...

Num gesto eficaz, as garras retorceram o pescoço de Valdemar, que se quebrou como se fosse um boneco de plástico.

Eu estava abismado com tudo o que estava a assistir. O “boneco”, dentro da vitrina, adquirira uma vida própria, inexplicável, salvando-me a vida como se fosse um “protector”.

Olhei em redor, e pude perceber que ninguém tinha escutado o som dos tiros, pois a feira conservava-se vazia e sem ninguém, como vinha sendo hábito há vários meses.

Seguidamente, arrastei o Valdemar, que já era um cadáver, para a dispensa e fui buscar uma carpete grande que eu preservava no hall de entrada do meu escritório. Enrolei o seu corpo na carpete como se fosse um cigarro gigante.

Depois, carreguei-o sozinho e com grande esforço até ao parque de estacionamento e enfiei-o na bagageira do carro – O meu cérebro fora perfurado por uma ideia genial.


Restava-me apenas encontrar o velho Teodoro, o embalsamador, que me devia uns favores, e logo a minha vida voltaria a reluzir.

*

Um mês mais tarde, contratei um advogado para me ajudar a recuperar a feira, contrapondo uma “providência cautelar” no tribunal, o que me fez tornar a ser o legitimo proprietário, com a condição de, num prazo de 20 dias (conforme estava escrito na acta do tribunal) pagar todas as dívidas aos meus credores, e fazer prova disso.

Havia ainda outro factor que estava a meu favor. A pessoa que tinha adquirido a feira no leilão, tinha 15 dias para contestar a minha oposição...

Mas a “esse”já não lhe restava tempo nenhum!

A minha vida mudara completamente.

Tinha finalmente conseguido reabrir as portas da feira ao público.

Inesperadamente, esta voltara a ser visitada por milhares de visitantes diários. Tudo devido à sua atracção principal -“A galeria do terror”.

Trata-se de uma ideia extraordinária que eu tive há uns tempos atrás e que rapidamente se tornou num sucesso imenso. Uma galeria, onde estão expostas várias figuras, demonstrando várias pessoas mortas em diversas circunstâncias: Guerras, acidentes rodoviários, assassínios, enfim, tudo o que possam imaginar.

A verdade é que, inesperadamente, esta colecção grotesca começou a ter um êxito brutal, e as pessoas começaram a afluir ao parque, particularmente para visitar a tão afamada galeria de terror!

É óbvio que as figuras são todas fabricadas em cera...excepto uma!

A que foi morta pela “GANÂNCIA”!
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