05/02/2013 Sapos Esmagados

Um garoto perverso, destes que gostam de fazer maldades para se divertir um dia encontrou um sapo acuado entre duas pedras no fundo do quintal. Não pensou duas vezes. Pisou no bicho. Mas o animal não morreu. Ficou agonizando porque o peso do garoto não era suficiente para matar o sapinho. Então o moleque começou a pular. E de tanto pular o sapo foi aos poucos desfalecendo e morreu. O menino, cansado dessa traquinagem, já não se divertia tanto quanto imaginou quando empreendeu sua maldade. Ficou sentindo o saco mole embaixo de seu tênis surrado. Tirou o pé de cima do sapo e olhou para o animalzinho. Ele parecia ter lágrimas nos olhos. O moleque percebeu uma semelhança entre os olhos do bicho morto e os de seu irmãozinho que tinha morrido pouco depois de nascer deixando a família mergulhada numa tristeza muito grande. Ele sentiu pena do sapo. Sentiu um remorso e um vazio que só fazia aumentar. E chorou sem que ninguém visse. Aquilo definitivamente não teve graça. Então a criança tentou deixar para lá e decidiu sair e procurar alguém para aporrinhar ou um gato para amarrar latas no rabo. Mas quando ele tirou o pé de cima do sapo e deu um passo à frente sentiu como se ainda estivesse pisando naquele corpo mole e escorregadio... Bateu os pés com força contra a calçada para ver se aquilo saía debaixo de seu tênis. Não saiu então ele tirou o tênis e olhou embaixo. Só tinha respingos de sangue e restos de pele do sapo. Mesmo assim raspou o tênis no chão para limpar. Mas ficou intrigado mesmo quando tocou o é descalço no chão e sentiu como se pisasse em cima do sapo. Sentou desesperado e olhou embaixo do pé. Nada. Não tinha nada embaixo. Levantou e pisou. Sentiu o bolo embaixo do pé. Saiu correndo e quando olhou para trás viu uma fileira de sapos pipocando de onde ele tinha pisado. Cada passo um sapo. Cada sapo os olhos de seu falecido irmão prematuro. No desespero embrenhou-se no mato e se perdeu no pântano. A noite veio e o encontrou com os pés para cima, chorando, tremendo e rodeado de sapos semi-esmagados com olhos humanos. Hoje, quando a gente ouve a cantoria triste dos sapos, pode ter certeza, é o menino mau que correu perdido no pântano pipocando sapos em baixo de seu pé esmagador de sapos que se cansou e está com os pés para cima, chorando seu remorso e sua maldade.
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