10/08/2009 Nathan Leopold & Richard Loeb


Nathan Leopold, 18 anos, e Richard Loeb, 17 anos, dois filhinhos-de-papai, nascidos milionários em Chicago, confessaram ter matado a pancadas um colega de escola, Robert Franks, de apenas 14 anos, por puro esnobismo intelectual e diversão. Os dois jovens, sexualmente ambíguos, eram emblemáticos de uma certa juventude rica da década de vinte: universitários, ricos, simpáticos, viajados, por vezes brilhantes, mas sempre frívolos, esnobes e entediados. Foram presos porque Leopold deixou seus óculos, um modelo exclusivo, caírem junto ao corpo nu de Franks, e chocaram o mundo ao assumir friamente a culpa e explicar suas razões fúteis.
O objetivo dos dois era cometer o "crime-perfeito", baseando seus planos nas idéias do filósofo Nietzsche (como o conceito do super-homem) e numa pretensa superiodade intelectual em relação aos investigadores. A vítima foi escolhida ao acaso, na saída da escola, uma vez que tratava-se apenas de matar alguém. Pais e irmãos dos assassinos chegaram a fazer parte da lista de possíveis vítimas, mas foram descartados devido a possibilidade de expô-los como suspeitos.
Embora não apresentassem nenhum problema financeiro, Leopold e Loeb chegaram a pedir um resgate no valor de dois mil dólares ao pai de Bobby Franks, mas o corpo foi antes que o dinheiro pudesse ser entregue. Mais tarde, a dupla, que confessou e
não fez questão de atenuantes, afirmou que o resgate era somente mais uma forma de cortejar com o perigo, aumentando a emoção do crime.
Com uma atitude permanentemente debochada e a confissão dos réus, seu enforcamento era dado como certo, foi então que o poder econômico dos dois falou mais alto, com a contratação do advogado Clarence Darrow, na época o melhor advogado dos Estados Unidos, defensor dos assassinos e da causa impossível. Usando toda sua capacidade e muita ousadia, Darrow chegou a se referir aos frios criminosos como "pobres meninos".
Darrow poderia ter alegado insanidade, não o fez, reconhecendo que seus clientes realmente eram incapazes de conviver em sociedade, mas condenou a pena de morte em tese, insinuou que a opinião pública queria a morte dos dois porque "eles eram ricos", culminando tudo com um brilhante ataque ao sistema educacional americano. Em sua conclusão, Darrow sublinhou o papel do juiz como guardião do bem-estar da comunidade, perguntado em seguida se o enforcamento dos réus configuraria tal benefício. A tática deu certo, Clarence Darrow conseguiu livrar seus dois clientes da pena morte, mas não pode evitar sua condenação a penas de prisão perpétua mais noventa e nove anos.
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1 comentários:

Sandra Helena* disse...

Mas que barbaridade, tchê!

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